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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A mão que lava a outra

Retirado do sítio de Carta Capital


Por Mino Carta*


Quem manda mais: o governador ou os patrões midiáticos?
 Foto: Bruno Poletti/Frame/Folhapress
Estava o acima assinado no luminescente palácio do Ministério das Relações Exteriores em Brasília na noite de gala de 1º de janeiro de 2011, festa da posse da presidenta Dilma Rousseff, e eis que sai da salinha vip, reservada aos cumprimentos dos graúdos, o governador Geraldo Alckmin. E me cai nos braços, como sonha Cavaradossi ao recordar Tosca, fundo musical de Puccini.
No caso, em lugar da ficção operística, invoco a verdade factual. O governador reeleito e reempossado naquele mesmo dia, surpreende-me por estar já na capital da República e ainda mais por me abraçar com tamanha simpatia. O que, sublinho, não me desagrada. Vem atrás dele o senador Aloysio Nunes Ferreira, o qual, de rosto lívido, incumbe-se de restabelecer as distâncias ao produzir um aceno soturno a transparente contragosto. O que também não me desagrada.
O senador Aloysio esqueceu momentos passados à beira da mesa de debates do programaJogo de Carta da TV Record, que conduzi de setembro de 1984 a abril de 1987. Estávamos ainda a caminho da eleição indireta que levaria Tancredo Neves à Presidência e eu reunia frente a frente tancredistas e malufistas. Aloysio estava do lado oposto a Gastone Righi e este, aos berros, partiu para os impropérios, entre outros, audíveis em Pindamonhangaba, “cachorro” e “macaco”. Presa de palidez freudiana (de Lucien Freud), encolhido na cadeira, Aloisio não conseguia articular um revide. Ergui-me do assento central e berrei mais alto na direção de Righi: “Cale-se! No meu programa ninguém grita e ofende os adversários!” Tive pleno sucesso.
Na noite de Brasília, o governador talvez tenha me confundido com outrem, só posso dizer que sempre o tratei com o devido respeito. O senador, no entanto, não se confundiu. De todo modo, se a simpatia de Alckmin foi autêntica, sei que não é compartilhada por outros inúmeros tucanos. Por exemplo, CartaCapital foi praticamente ignorada pela publicidade governista durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso e em São Paulo só teve vez enquanto Mário Covas viveu. A isonomia que passou a ser praticada pelo governo Lula na distribuição de anúncios, e agora pelo governo Dilma, nunca deixou de contar com as críticas, às vezes ásperas, de alguns guardiões da moral, perdão, da Moral, tidos como jornalistas.
Neste exato instante, recebemos a informação de que, na esteira do ex-governador José Serra e do seu ex-secretário da Educação Paulo Renato, o atual presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), José Bernardo Ortiz Monteiro, acaba de renovar contratos para o fornecimento de assinaturas com as revistas ÉpocaIstoÉ e Veja, e os jornaisFolha de S.Paulo O Estado de S. Paulo pelo valor total de 9 milhões de reais e alguns quebrados. Não houve licitação, está claro, assim como está que CartaCapital foi excluída mais uma vez.
Há toda uma longa tradição de mamatas, como outrora se dizia, a caracterizar a relação entre poder e mídia, esta que incessantemente clama por sua liberdade de fazer o que bem entende, inclusive assaltar a verdade factual de todas as formas possíveis. Só para citar as mais recentes, repito, mamatas, evoco o aval da ditadura ao acordo entre a Globo e Time-Life, para que logo em seguida fosse proibido qualquer acerto do mesmo gênero. Tivemos, sempre à sombra do regime de exceção, as generosas operações da Caixa Econômica Federal em benefício do Estadão e da Editora Abril, esta retribuída por minha saída da direção de Veja, voluntária aliás, por recusar um único escasso tostão dos patrões, ao contrário do que se lê até em livros.
E lá vem a história da Gazeta Mercantil, que lançou debêntures prontamente adquiridas pela Previ para que em suas mãos virassem letras mortas, enquanto o jornal ocupava por aluguel irrisório espaço confortável no prédio da Funcef. Ah, sim, debaixo do governo FHC registramos várias situações impagáveis, a começar pela privatização das teles em 1998, a favorecer Globo, Estadão e Abril. Não deixa por menos, em matéria de mamata, a linha de financiamento criada pelo BNDES- para salvar a Globo. Enfim, no ocaso da Presidência do príncipe dos sociólogos, a aprovação de lei que permite o investimento- de até 30% de capital estrangeiro nas nossas- empresas midiáticas, àquela altura- com a água pela garganta.
CartaCapital tem boa memória, mas não se queixa. Fizemos nossas escolhas cientes dos riscos a correr no país dos herdeiros da casa-grande e da senzala. E não perco a oportunidade para confirmar o que já sustentei neste mesmo espaço: o mundo, até este dos dias de hoje, não é todo igual. Não há notícia, para ficar no assunto, de que ministros da Educação de países democráticos e altamente civilizados comprem lotes substanciosos de assinaturas de jornais e revistas em proveito do progresso cultural de professores e alunos. Mas é óbvio que os objetivos das autoridades paulistas são outros e que a opinião de CartaCapital nunca esteve e nunca estará à venda. 


*Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Impressões sobre o IV Congresso do PT

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O clima da etapa estatutária do IV Congresso do PT foi bastante diferente daquela que aconteceu em fevereiro de 2010. O tom de como se dariam as disputas naquele espaço foi dado logo na noite de abertura. A segurança da Presidência da República definiu que quando todas as cadeiras fossem ocupadas as portas do auditório seriam fechadas, mesmo com algumas centenas de militantes petistas ainda do lado de fora do auditório. Qual o problema objetivo de deixar os militantes entrar e sentar no chão? Nenhum, claro.

Foi aí que tudo começou, aqueles que estavam de fora fizeram o que de melhor faz um militante do PT, protestaram contra o equivoco da segurança presidencial. Iniciou-se a gritaria, e em tempos de internet, iniciaram-se também as postagens nas redes sociais, enfim os gritos de fora se aliaram aos companheiros que estavam dentro do plenário e também queriam que as portas fossem abertas.

Resultado a Presidenta Dilma mandou abrir as portas, entramos todos e todas e estava dada a tônica do que seria o IV Congresso. O campo majoritário iria ter no dia de sábado mais trabalho do que imaginava.

Ainda na atividade de abertura o Ex-Presidente Lula, perdeu a linha, e saiu com a pérola de que deveria ser criada cota para homens, depois da eleição de Dilma para Presidenta. Resultado dessa anedota: vaias. Mesmo que tímidas, as vaias rolaram e mostraram mais uma vez ao campo majoritário e quem sabe ao próprio Lula que o PT é muito mais que grandes figuras públicas. Ele é um conjunto de militantes que põem o pé na lama, que constroem o partido, homens e mulheres que sofrem diariamente e que todos somos iguais dentro do partido. O mito Lula também erra e também pode ser vaiado e questionado.

Após um rápido discurso do Lula, foi a vez da Presidenta Dilma aprovar antecipadamente as cotas para jovens nas direções do partido. A frase foi: tem que se criar cotas para os jovens no partido, pois nós e o Brasil precisamos da juventude. Batata! Quem iria se opor? Vitória da Juventude Petista.

No segundo dia de Congresso, duas vitórias históricas: a paridade de gênero e as cotas para jovens, e algumas vitórias bem legais, proporcionadas pela tecnológia.

É isso. Duvido que pela manhã alguém imaginasse que aquele controle remoto de votação fosse proporcionar momentos como os que se viram, por exemplo, na votação do limite de mandatos parlamentares na mesma esfera.

A votação rolou três vezes e o campo majoritário perdeu as três. E todas as vezes que o placar eletrônico mostrava uma vitória contra o campo majoritário os delegados e as delegadas iam ao delírio.

O voto secreto nas propostas demonstrou que a pelo menos 1/3 dos delegados estavam fora do plenário, e que quando não há o constrangimento do olhar, as pessoas votam por suas convicções.

Pode ser até exagero, mas o mais democrático instrumento do congresso do PT estava pendurado no pescoço dos delegados e delegadas, e era apenas o direito de votar secretamente.

Havia também no congresso a turma que Inaugurou um novo período, entre eles e elas, eu era apenas mais uma. Entre nós, além de muita vontade de disputar os rumos do PT, havia leveza no olhar, liberdade no falar, firmeza nos passos e sobretudo certeza nas tantas outras vitórias que se avizinham.

Viva ao Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores!

Viva àqueles e aquelas que Inauguram um Novo Período!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

NÃO é assim que se faz jornalismo !

Segue a divulgação da resposta do Edberto Ticianele ao ataque leviano e gratuito feito pelo "jornal" Gazeta de Alagoas. 
Caros amigos e amigas,
 
Fui surpreendido na manhã de hoje (25/02) com a publicação, na coluna Fatos e Notícias da Gazeta de Alagoas, de duas notinhas que fazem referência ao meu nome. Reproduzo abaixo o texto, para comentá-lo em seguida:
 
CARNAVAL O comunista carnavalesco Ediberto Ticianeli anda feliz da vida desde que o seu partido entrou na Prefeitura de Maceió. Coordenador do Jaraguá Folia, esse gigante da ética está nadando de braçadas num oceano de dinheiro público.
 
NA FOLIA Sem muita disposição para o batente – coisa que vem dos tempos de estudante profissional, igual a muitos de sua turma -, Ticianeli finalmente achou o paraíso. Revolucionário nato, o Arlequim (aquele que gosta de roubar pirulito de criancinhas) só quer saber de folia.
 
É lamentável que o jornalismo de certos profissionais tenha sido reduzido a isto. Não quero acreditar que a Gazeta de Alagoas, que já faz parte da história do jornalismo alagoano, comungue com tal destempero ideológico de um contratado. Sou forçado, infelizmente, a responder a isto, mesmo com os instrumentos limitados que tenho neste momento.
 
1.     Não me sinto agredido por ser identificado como “comunista”, “gigante da ética” ou “revolucionário”. Gostaria de ser mais comunista do que sou, ser mais ético do que tento ser e mais revolucionário do que a minha limitada história de militância política. Entretanto, sou assim e assino embaixo. Não me escondo no anonimato de uma redação, comprometendo colegas, que sei não concordarem com tal prática.
 
2.     A insinuação de que eu sou preguiçoso ficará sem resposta. Não devo satisfação a quem não conhece a minha história de vida. Entretanto, dizer que eu sou preguiçoso e igual a tantos da minha turma dos tempos de estudantes, é desrespeitar a história de pessoas que lutaram nas ruas para que o país conquistasse a democracia, que hoje permite que até um jornalismo facistóide sobreviva em nossos jornais. Entre os muitos da minha turma, que são atingidos como “sem muita disposição para o batente”, cito o jornalista Enio Lins, Coordenador Editorial da Gazeta de Alagoas, e com quem o jornalista deveria ter conversado antes de escrever suas agressões.
 
3.     Por último, vem a insinuação de que sou desonesto. Ironicamente me trata como “gigante da ética”, que “está nadando de braçadas em dinheiro público”. Ou seja: eu estou rico, sem trabalhar, por estar metendo a mão (braçadas) no dinheiro público. O jornalista responsável por estas insinuações sabe que não escreveu a verdade. Mas, quero que ele saiba também que terá a oportunidade de provar as suas afirmações na Justiça, ou será convidado a pagar por danos morais. Só assim eu receberei algum dinheiro sem trabalhar. Prometo que gastarei tudo comemorando com os colegas de luta “sem muita disposição para o batente”.
 
Um jornal poderoso, como a Gazeta de Alagoas, pode dar a impressão, a um profissional mais desavisado, que ele também compartilha desse poder. Estes feitores se transformam em verdadeiras autoridades, senhores da opinião pública. De vez em quando encontro veteranos profissionais da comunicação que já tiveram o rei na barriga e hoje são de uma humildade franciscana. Nada como um dia após o outro.
 
Peço aos amigos que espalhem essa nota o máximo possível. É preciso provar que a grande mídia pode e deve ser acompanhada criticamente por seus leitores, principalmente com a possibiliodade que as redes sociais oferecem para a disseminação da informação ou da voz que não foi “ouvida”.


 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

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